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Estreia da Sinfonia nº 7, Leningrado, de Shostakovich, em Moscou, no ano de 1942

O Música na Cabeça, parceria da Osesp com o jornal O Estado de S. Paulo, disponibiliza aqui a primeira parte da palestra com Jorge de Almeida realizada no dia 09 de maio na Sala São Paulo. O professor fala sobre música em tempos de guerra de paz.

“Aux armes, citoyens! Formez vos batallions!” [“Às armas, cidadãos! Formem seus batalhões”] A Revolução Francesa engajou milhões de pessoas em nome da liberdade, igualdade e fraternidade. Muitas vezes, a paz é injusta, e há guerras que se devem lutar, na esperança de um mundo melhor. Assim pensava Beethoven, que dedicou sua Terceira Sinfonia ao herói Napoleão Bonaparte, encarnação dos ideais que assombravam a nobreza europeia. Quando, anos mais tarde, o jovem general do exército popular republicano se coroou Imperador, a dedicatória foi retirada com indignação. Sentindo-se traído, Beethoven chegou a compor uma “Schlachtsymphonie” (Sinfonia de batalha), a Vitória de Wellington Op.91, em comemoração à derrota das tropas napoleônicas. Os ideais revolucionários permaneceram sendo, entretanto, uma imagem da reconciliação, como indicam os versos de Schiller no final da Nona Sinfonia, antecipando o momento em que “todos os homens se tornarão irmãos” sob as asas da alegria, “como um herói diante da vitória”“.

Leia na íntegra o ensaio Variações em Tempos de Guerra e de Paz, do professor Jorge de Almeida.
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O compositor Benjamin Britten e o pianista Paul Wittgenstein, que perdeu o braço direito durante a guerra, em 1942

O Música na Cabeça, parceria da Osesp com o jornal O Estado de S. Paulo, disponibiliza aqui a primeira parte da palestra com Jorge de Almeida realizada no dia 09 de maio na Sala São Paulo. O professor fala sobre música em tempos de guerra de paz.

“Realmente, não conheço as harmonias que mencionas, mas quero aconselhar-te a permitir apenas aquelas que imitem dignamente tanto a voz quanto os gritos de um herói que, na guerra ou em qualquer outra ação violenta, sofre uma ferida ou caminha para a morte, aceitando seu destino com firmeza e coragem.” Preocupado com o efeito imitativo das artes nos membros de sua República ideal, Platão pretendia expulsar não apenas os poetas, mas também os flautistas e certos modos musicais, como o lídio e o jônio, que considerava “efeminados” e prejudiciais à formação dos futuros guerreiros. Curiosa modulação da história: séculos mais tarde, o flautim se tornou popular nas bandas militares, e o modo jônio gregoriano deu origem à escala maior do nosso sistema tonal, sempre utilizada para exaltar a suposta virilidade dos soldados das batalhas modernas.”

Leia na íntegra o ensaio Variações em Tempos de Guerra e de Paz, do professor Jorge de Almeida.