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Efeitos da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima

O Música na Cabeça, parceria da Osesp com o jornal O Estado de S. Paulo, disponibiliza aqui a terceira parte da palestra com Jorge de Almeida realizada no dia 09 de maio na Sala São Paulo. O professor fala sobre música em tempos de guerra e de paz.

“No temerário esforço de representar em sons o calor das batalhas, os compositores acabaram registrando as mudanças na própria história da guerra. Enquanto Clément Janequin, no século XVI, distribui com rigor polifônico ruídos e onomatopeias bélicas a seus cantores, os violinos de Claudio Monteverdi, um século depois, imitam os cavalos e golpes de espada do combate entre Tancredi e Clorinda. Os conflitos incorporam novas armas, e logo o metal da artilharia pesada domina o campo de batalha de clássicos e românticos, confundindo-se com o rufar dos tambores e o apelo dos clarins. Os exagerados canhões de Tchaikovsky, na famosa Abertura 1812 (composta em 1882), anunciam a capitulação da música diante do maior poder de fogo da realidade. Nas mãos dos compositores futuristas, o piano ainda tentará louvar o heroísmo tecnológico da guerra aérea, mas as ondas de choque da bomba atômica, no lamento que Krzysztof Penderecki dedica às vítimas de Hiroshima, calarão qualquer tentativa de tornar belo o horror.”