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Osesp
John Neschling regente

Gravada em março de 2005 na Sala São Paulo

A Dança nº 1 (allegro molto), uma czardas (dança de taberna), começa com um tema voluptuoso que é dos mais conhecidos da série. A nº 3 (allegretto) é uma leve dança nupcial tomada de empréstimo a uma coletânea do compositor popular J. Rizner, mais ameaçadora e agitada em sua parte intermediária. 

Nas três partes da Dança nº 4 (poco sostenuto), tirada de coletânea de N. Merty, Brahms quis imitar, já na versão para piano, os torneios e sonoridades da orquestra cigana. A Dança nº 10 (presto) é outra dança nupcial colhida em J. Rizner. A de nº 20 (poco allegretto) retoma em sua parte inicial o caráter nostálgico da primeira, com o episódio central cheio de animação.

Clóvis Marques é jornalista e crítico musical
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Osesp
John Neschling regente

Johannes Brahms
Hamburgo (Alemanha), 07 de maio de 1833
Viena (Áustria), 3 de abril de 189

Gravada em março de 2005 na Sala São Paulo

Exímio pianista, começou a carreira como arranjador da pequena orquestra dirigida pelo pai. Aos 30 anos, estabeleceu-se em Viena como diretor da Singakademie. Desde a juventude, teve grande afinidade artística com Robert Schumann e apaixonou-se pela esposa deste, Clara, 14 anos mais velha. No repertório destacam-se o Réquiem alemão, as quatro sinfonias e as Variações sobre um Tema de Haydn. Aos 68 anos, após publicar o Quinteto Op.111, praticamente parou de compor e iniciou uma fase de revisão. Fez alterações substanciais em algumas obras e queimou aquelas que julgou de menor valor artístico.
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Osesp
John Neschling regente

Gravada em abril de 2005 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

O lado feliz e extrovertido de Brahms — que em poucos momentos transparece em sua música—, o jeito muito pessoal com o ritmo e a síncope e a impregnação das paisagens musicais centro-européias se refletem nas 21 Danças húngaras, compostas em duas séries de dez e onze, respectivamente em 1869 e 1880. A influência da vizinha Hungria se fez sentir cedo em sua vida, quando, aos 20 anos, ele formou duo com o violinista húngaro Eduard Remenyi; são numerosas suas obras orquestrais, de câmara e para piano em que tem vazão esse gosto pelo estilo cigano.

Compostas a partir de temas populares para piano a quatro mãos —na época, a mais popular maneira de fazer música em casa—, somente as Danças de nºs 1, 3 e 10 do primeiro livro foram orquestradas pelo próprio Brahms.

Clóvis Marques é jornalista e crítico musical.
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Orquestra de Câmara da Osesp
Victor Hugo Toro regente

Ottorino Respighi
- O Cuco (trecho)

Gravada em setembro de 2008 na Sala São Paulo

A suíte Os Pássaros é inspirada em peças de antigos compositores italianos e franceses e recria, com pureza, a atmosfera musical do período barroco.
Um espirituoso prelúdio do organista romano Bernardo Pasquini (século XVII) abre a cortina dos tempos. Segue-se A Pomba, expressiva composição de Jacques Gallot (século XVI), em solo de oboé. Ao final, em sutil efeito, Respighi sugere o levantar de vôo da ave, ao som de um leve glissé ascendente da harpa.

De Jean Philippe Rameau, o célebre inovador da música francesa no século XVIII, segue-se A Galinha ―em ritmo insistente e harmonia ousada para a época― protegendo sua ninhada.

De autor desconhecido, O Rouxinol apresenta a flauta que, solando um tema pastoril, dialoga com o fagote, com a trompa e a clarineta, sempre acompanhada por suave harmonia orquestral.

Finalizando a suíte, após alegre introdução dos arcos, surge outro belo tema de Bernardo Pasquini, O Cuco, em esfuziante dimensão sonora, trabalhado em belas variações. Reapresentando, de forma cíclica, o tema do prelúdio, Respighi dá expansão ao seu temperamento e, com mão de mestre, arma a conclusão num grandioso Ritenùto all’Antica.

Maria Célia Machado é harpista, mestre em Educação pela UFRJ e integra o Trio D’Ambrosio e a Orquestra Brasileira de Harpas ―ambos projetos de sua autoria.
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Orquestra de Câmara da Osesp
Victor Hugo Toro regente

Ottorino Respighi
- Prelúdio (trecho)

Gravada em setembro de 2008 na Sala São Paulo

Excelente instrumentista, de temperamento lírico e amante dos grandes efeitos musicais, com apenas 21 anos, Respighi é contratado como violinista da Orquestra da Ópera de São Petersburgo. Na Rússia, sob a orientação de Rimsky-Korsakov, aprimora-se em composição e orquestração. Posteriormente, estudou na Alemanha, com Max Bruch. Essas oportunidades permitiram-lhe desenvolver um estilo próprio, unindo sua exímia técnica instrumental às conquistas harmônicas e colorísticas do impressionismo francês.

Respighi dedicou-se a todos os gêneros de composição, mas alcançou mais popularidade graças às suas obras orquestrais, especialmente as suítes sinfônicas As Fontes de Roma e Os Pinheiros de Roma, além do bailado La Boutique fantasque (A Oficina da Fantasia), sobre música de Rossini.

Maria Célia Machado é harpista, mestre em Educação pela UFRJ e integra o Trio D’Ambrosio e a Orquestra Brasileira de Harpas ―ambos projetos de sua autoria.